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Brasil vence Japão em jogo eletrizante e garante vaga na semifinal da VNL

A Liga das Nações de Vôlei Feminino presenciou nesta quarta-feira, dia 22, em Macau, na China, um daqueles confrontos que entram para a história pela intensidade física e tática. Em duelo válido pelas quartas de final do torneio, as seleções do Brasil e do Japão travaram uma verdadeira batalha de sistemas defensivos, onde cada ponto demandou um esforço sobre-humano. Ao final de quatro sets disputados no limite, a equipe verde-amarela venceu de virada por 3 sets a 1, com parciais de 24/26, 25/22, 25/16 e 25/20, garantindo sua vaga entre as quatro melhores equipes da competição.

O embate entre brasileiras e japonesas já se tornou um clássico do vôlei mundial caracterizado pelo alto volume de jogo e pela resistência das defesas. No entanto, o embate em solo chinês elevou esse padrão a patamares impressionantes. Ao longo da partida, as duas equipes somaram incríveis 209 defesas bem-sucedidas, sendo 115 do lado japonês e 94 do lado brasileiro. Ralis com duração superior a 30 segundos foram frequentes, exigindo das comandadas do técnico José Roberto Guimarães uma disciplina mental impecável para não cair na armadilha do nervosismo.

A Reação Tática e o Controle do Desespero

O início da partida deu a impressão de que o Japão conseguiria impor o seu ritmo característico. Com um volume defensivo quase impenetrável e aproveitando falhas pontuais do Brasil na escolha de jogadas, as asiáticas fecharam o primeiro set em um apertado 26 a 24. A partir da segunda parcial, contudo, a comissão técnica brasileira promoveu ajustes cruciais na rotação e no sistema de bloqueio, permitindo que a equipe equilibrasse as ações e iniciasse a virada.

Entre as alterações de destaque esteve a entrada da central Luzia, que substituiu Lorena no decorrer do jogo. Com uma atuação firme, a jogadora contribuiu com sete pontos fundamentais e ajudou a dar estabilidade à rede brasileira nos momentos mais críticos da partida.

A jogadora ressaltou a dificuldade psicológica de enfrentar a seleção asiática, descrevendo a experiência como desesperadora. Segundo a central, o diferencial do Brasil foi conseguir manter a cabeça no lugar e atuar de forma extremamente pragmática. A atleta destacou que a equipe precisou se manter atenta às constantes mudanças táticas feitas pelas adversárias durante os ralis, reforçando que a paciência foi a chave para dar mais um passo na busca pelo título.

Sobrevivência e Experiência no Banco de Reservas

À frente da seleção feminina desde 2003, o técnico José Roberto Guimarães acumula dezenas de embates contra o estilo de jogo japonês. Mesmo com toda a bagagem vitoriosa e o conhecimento prévio, o comandante brasileiro não escondeu o desgaste emocional provocado pela partida e comemorou a permanência da equipe no torneio, uma competição criada em 2018 que o Brasil ainda busca vencer pela primeira vez.

O treinador definiu o duelo como um sufoco constante e uma loucura tática, ressaltando a necessidade de atacar a mesma bola por diversas vezes até conseguir furar o bloqueio e a cobertura do Japão. Zé Roberto elogiou o funcionamento do sistema defensivo brasileiro e o desempenho do saque, admitindo apenas pequenos deslizes nas tomadas de decisão no primeiro set. Com o bom humor de quem superou um obstáculo duríssimo, o treinador celebrou o resultado positivo afirmando que ainda não estava preparado para voltar para casa.

RESUMO TÁTICO DA PARTIDA

  • Total de Defesas: 209 (115 do Japão e 94 do Brasil).
  • Rali Mais Marcante: 35 segundos no quarto set, encerrado com ponto de ataque da ponteira Ana Cristina.
  • Maior Pontuadora: Ana Cristina (Brasil), com 30 pontos convertidos.

O Ponto de Virada e a Força da Coletividade

O momento mais emblemático da partida ocorreu durante o quarto e último set. O Brasil enfrentava um momento delicado, estando atrás no placar por 18 a 15, quando as duas seleções protagonizaram o rali mais longo da noite, com 35 segundos de trocas intensas de ataques e defesas espetaculares. A jogada foi finalizada com uma pancada da ponteira Ana Cristina, que colocou a bola no chão e deflagrou uma comemoração efusiva em quadra.

O ponto não apenas diminuiu a vantagem japonesa, mas serviu como o estopim moral para a reação brasileira. A partir daquele lance, a seleção verde-amarela assumiu o controle definitivo do set, emplacou uma sequência avassaladora de pontos e fechou a parcial em 25 a 20, sacramentando a vitória na partida.

Ana Cristina encerrou a noite como a maior pontuadora do confronto, somando impressionantes 30 pontos na conta. Emocionada com a classificação, a ponteira atribuiu o triunfo à união e ao espírito de equipe do grupo. A atleta declarou que a conexão e o apoio mútuo entre as jogadoras têm aumentado a cada dia, funcionando como a principal força da seleção. Para Ana Cristina, a coletividade demonstrada em quadra tem feito a diferença nos momentos decisivos da competição.

O Próximo Desafio: Um Clássico Contra as Campeãs do Mundo

Com a vaga garantida nas semifinais da Liga das Nações, a Seleção Brasileira agora se prepara para um desafio ainda mais exigente. O adversário na luta por uma vaga na grande final será a seleção da Itália, em confronto agendado para o próximo sábado, dia 25 de julho, em horário a ser oficializado pela federação internacional.

O desafio diante das italianas promete exigir o máximo da equipe brasileira. A seleção europeia ostenta atualmente o status de força dominante no cenário internacional, acumulando os títulos olímpico e mundial, além de ter vencido as últimas duas edições da VNL. A partida ganha ainda contornos de revanche, já que a Itália foi a responsável por derrotar o Brasil na decisão do campeonato no ano passado pelo placar de 3 sets a 1.

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