Ex-presidente alegou preservação da saúde e criticou ambiente político; Estatuto do clube, porém, impede saída de associado que responde a processo disciplinar.
O ex-presidente do São Paulo Futebol Clube, Julio Casares, oficializou nesta quarta-feira (29) a renúncia aos seus cargos nos Conselhos Deliberativo e Consultivo do clube. A decisão ocorre um dia antes de uma audiência marcada na Comissão de Ética, onde Casares é investigado por suspeitas de gestão temerária e irregularidades administrativas durante seu mandato. Além das apurações internas, o ex-mandatário também é alvo de inquéritos da Polícia Civil e do Ministério Público sobre um suposto esquema de exploração clandestina de camarotes no Estádio do Morumbis.
Em carta aberta, Casares afirmou que a renúncia visa preservar sua saúde, sua família e sua dignidade. Ele criticou duramente o ambiente político do clube, alegando perseguição e a negação de amplo acesso aos documentos necessários para a sua defesa. O ex-dirigente defendeu seu legado, destacando a conquista de títulos importantes e a aprovação contábil de suas contas à época, afirmando que focará seus esforços na esfera judicial.
Apesar da carta citar o desligamento do quadro associativo do São Paulo, o movimento esbarra nas regras internas da instituição. De acordo com o Estatuto do clube, associados sob procedimento disciplinar administrativo não podem pedir demissão ou cancelamento de matrícula enquanto o processo estiver em curso. Com isso, enquanto a renúncia aos cargos de conselheiro passa a ter efeito imediato com a comunicação oficial, o desligamento do quadro social permanece suspenso até a conclusão das investigações na Comissão de Ética.







